
Interessantes as pessoas. Todas diferentes e bem parecidas. Todas parecidas, semelhantes, ainda que quase que totalmente diferentes umas das outras. As pessoas iguais são diferentes. Podemos nos comparar a todas, uma a uma, à medida em que as conhecemos, entramos no mundo delas, passamos a quase ver através dos olhos delas.
Mas, longe disso! Longe de conseguirmos tal façanha. Ainda é com nossos olhos que vemos, nossos próprios olhos. Os sentimentos, que parecemos ter iguais, quão diferentes são! Não conseguimos sentir a dor do pai que perdeu seu filho recentemente, embora, com lágrimas, o tentemos. No entanto, se isso acontece conosco, ah, aí o sentimento é idêntico.
A verdade é que, somos capazes também de nos distinguirmos de todas as pessoas, à proporção que nos distanciamos ideológica ou sentimentalmente. Agimos como se fôssemos "totalmente outros", avessos a qualquer sentimento que essas (aquelas, as outras pessoas) possam ter. "Não pensamos como elas", pensamos. Não seríamos capazes de agir da mesma forma, nunca!
E aí também nos enganamos. Somos perfeitamente capazes de agir e pensar da mesmíssima forma que aquelas pessoas das quais discordamos peremptoriamente. Somos candidatos a defender o partido delas, mesmo que hoje o odiemos à ferro e fogo.
E nisso também consiste a beleza da vida. Em que as diferenças são tão iguais! E as semelhanças tão distantes e diferentes quanto o azul e o vermelho. A vida é assim. As pessoas são assim. Ou talvez não sejam. O conceito de "as pessoas são assim" já tem como seu paralelo e também verdadeiro o seguinte: "Não é assim que as pessoas são". Isso me faz sorrir. Interessantes as pessoas. Todas.

Um comentário:
"E nisso também consiste a beleza da vida"
Nem precisa tentar explicar ou imaginar se "todos fossem chico"!!! Seria como aquele "futebol filosófico" do youtube.
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