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Recife, Pe, Brazil
Sou seminarista presbiteriano. Estudo no Seminário Presbiteriano do Norte.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Paradoxo...

Para mim, uma das coisas mais atraentes no cristianismo bíblico é exatamente o "paradoxo". É estarrecedor o fato de pessoas "boas" terem sido rejeitadas por Cristo, ao passo que pessoas totalmente perdidas tenham sido fortemente amadas por Ele. É profunda a mensagem do Evangelho da graça. Ela é ilustrada no encontro de Jesus com a mulher que estava com o sexto marido (o qual não era, de fato, dela); é pintada no quadro onde cobradores de impostos, desonestos, são convidados docemente por Cristo para que possam seguí-lo; é maravilhosamente ensinada na casa do fariseu chamado Simão, quando a mulher "pecadora" se aproxima de Jesus, e com lágrimas, rega os seus pés, e os enxuga com os próprios cabelos, como sinal de adoração e reconhecimento de pecado e indignidade. A graça é uma das coisas mais paradoxais que exitem. Têm graça, aqueles que conseguem ver o quanto de graça lhes falta. A graça não pode ser mensurada em termos do que temos, mas sim em termos do que nos falta. A capacidade de pedir, de clamar pela misericórdia de Deus, revela o quanto carecemos dessa graça, que já temos desde o primeiro momento (e bem antes) que começamos a clamar. Quem é alcançado por graça, consegue transmitir a outros um perfume dessa graça, um cheiro desafiador e convidativo, que parece trazer no ar o som daquelas palavras que ressoam há séculos: "vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei". Não vejo condições para a graça. Caso existisse, já não seria. Não vejo uma série de impeditivos. A mim, parece que o único impeditivo é não carecer dela. Parece que a única coisa que nos impede de sermos alcançados pela graça (humanamente falando) é sermos bons ao ponto de não sentirmos nenhuma necessidade. É podermos olhar para nós mesmo e dizer: "que crente eu sou!". "Nem todo o que me diz: Senhor Senhor! entrará no reino dos céus...", disse Jesus. Há uma necessidade de graça diária sobre aqueles que não se consideram totalmente livres (isentos) do pecado. Aqueles que podem dizer "desventurado homem que sou!", aqueles que bradam, ou mesmo simples e sinceramente sussurram "...serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar". Racionalmente, eles aguardam juízo de Deus, convictos de que receberão, pelo fato de realmente merecerem. Aí, paradoxalmente, a beleza e o resplendor da graça é revelada em Cristo para eles, como uma aurora depois de uma noite terrível de desespero quase sem fim. Eles ouvem a palavra que diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça". Que paradoxo! Isso é loucura! A lógica da graça não tem nada de aristotélica, ela é totalmente divina.


Deus nos abençoe.

2 comentários:

Unknown disse...

Certa vez um adolescente me perguntou de forma bem simples, no entanto sincera: Como é que Deus me escolhe sabendo que eu faço tanta besteira? Essa pergunta nos chama a descobir a imensurável graça divina. Certamente, Jesus não veio p os q tem boa saúde, por isso nosso relacionamento com Deus JAMAIS deve estar baseado em algo q possa ser retribuido. No entanto, viver por graça não significa "viver solto na buraqueira". Uma vez conquistado por ela, viveremos por ela sem transforma-la em libertinagem.

Anônimo disse...

Adorei seus textos, alías, seus textos, são maravilhosoas...
Claro, vindo de vc!!

Quando vai postar aquele texto sobre a sinceridade??
Pensa que esqueci é???

Nunca, visse!!!

bejos